Foi mais ou menos assim que aconteceu: Cheguei com um grande amigo, que não é do Rio, para passar algumas horas e já fiquei frustrado com tamanha sujeira e começamos a discutir sobre ela e as pessoas que frequentam e contribuem para o acúmulo de tranqueiras na água e areia. Em determinado momento ele disse que era assim mesmo e que a praia é democrática. Parei por alguns instantes de ouvir o que ele estava dizendo, de escutar os vendedores gritando suas mercadorias, de perceber as crianças correndo jogando areia umas nas outras, de reparar nos micro-biquinis das meninas esculturais, de sentir a água batendo no pé para se formar na minha cabeça um imenso, sonoro, em caixa alta e negrito NÃO! E depois percebi que esse "não" tinha ultrapassado as barreiras do meu pensamento e fora externado. Entendi que tinha saído quando vi a perplexidade estampada na cara de Vítor, meu amigo.
Passado esse choque eu expliquei os motivos óbvios da sujeira, do tumulto e de tudo e pensei numa ótima solução, ao meu ver, para resolver esse problema: Todos deveriam ser habilitados para ir a praia. Sim, isso mesmo, habilitação de praiano. O cidadão faz um curso teórico, faz exames físicos e psico-técnicos, uma prova teórica e outra prática, assim como na auto-escola. Isso para aprender a recolher sua sujeira, não levar seu limpo canino para a areia, não jogar frescobol nem futebol na beira da praia, não ficar torrando no sol deixando o corpo com cores não saudáveis, aprendendo a se comunicar em tons aceitáveis, e não fazendo suas necessidades na praia... Então deveria institucionalizar-se um manual de normas e condutas com penalidades, assim como o código de trânsito, criaria-se, então, o Código Praiano, com multas, penalidades e possibilidade de ter sua permissão de ir a praia suspensa ou cassada diante da gravidade dos desvios de comportamento.
Parece viagem de gente chata isso... bem sou assim também.
Mas acho que daria certo.