Sua alma anda tão doente que sua pele está doente também, e a sua voz sumiu. Não fala mais. Não canta mais. E quando cisma em tentar, canta músicas tristes e chora no meio molhando a letra e deixando tudo indefinido. E sua voz fica diminuta, embargada, triste, torta.
Já ouvi ela dizer que seu maior desejo é dormir. Que curioso, né? Mas o dormir dela é pra não acordar mais. Se esconder atrás das pálpebras cerradas e se encerrar nisso. Só que a vida não deixa... tem que acordar, tem que levantar, tem que trabalhar e deixar que no final de outro dia o sono possa se encarregar de sumir com ela... e ela, mais uma vez dorme, afogada em suas lágrimas, em um sono preto e sem sonhos como quem quisesse deixar de existir.
Mãe, lembra de onde eu vim
Que a vida é a razão
E eu não volto mais