terça-feira, dezembro 09, 2014

as árvores

"A árvore da felicidade vai trazer harmonia ao lar, desde que seja bem cuidada." – Lembro dessas palavras quando nos deram a árvore... Foi seu tio e o namorado que nos deram no dia que fizemos o open house...

A casa se desfez em tantas partes mas me apeguei ao conceito da árvore e fiz de tudo pra que ela continuasse viva. Ela morreu e voltou algumas vezes. E por fim, ressecou, murchou de vez e ficou um cotoco no vaso.

No meio de um dos momentos mais conturbados da minha concha (e em paralelo) meu pai fez algo que sempre fez. Depois de aberto um abacate, ele pegou a semente e colocou num copo com água e ele brotou... Veio cheio de energia até atingir o máximo que poderia atingir naquele recipiente tão diminuto. E toda vez que atingia seu ápice, ele murchava de leve como quem dizia que precisava de mais. E nisso eu apegado a uma árvore que definhava num vaso maior.

Depois que a ponta do abacateiro morreu, nasceu um ramo um pouco mais abaixo e esse também veio cheio de vida. E ainda assim, não o coloquei no vaso. Tentando em vão ressuscitar aquela carcaça de árvore.

A última vez, levei um tapa na cara quando vi que em vez de um broto, dois ramos resolveram sair daquela semente como quem grita: – EU TO VIVO!


Entendi seu recado. Me desfiz da árvore. Plantei o abacate no lugar.

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Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba