quinta-feira, setembro 25, 2014

uma volta completa

Lembro das cores... da angústia... do cheiro... do seu desespero... de tudo que rolou aquele dia. Naquela noite. Naquela noite em que me joguei no abismo que era a mentira, pra cair de cara na verdade. Não morri na queda mas me quebrei em muitos mil pedaços e ainda estou tentando me juntar. Imagino como tem sido pra você... 

Ainda tenho medo da minha covardia de não ter querido peitar o meu erro e ter dado seguimento com a história... Mas, ao mesmo tempo, tenho orgulho da minha coragem de não ter seguido com a história. Sim. é tudo muito ambíguo. Me sinto como dois, ou mais, o tempo inteiro.

Dois ou mais. Um feliz por ter colocado a cabeça pra fora do mar e respirado fundo um ar sem vícios. Um triste por ter saído de uma história que poderia ter sido muito diferente do que foi...

Enfim. o mundo girou muitas vezes... e quase deu uma volta completa em torno do sol... e hoje, curiosamente (ou não), dia 25 de setembro... me pego ainda pensando muito sobre tudo isso... sobre os 74 anos que restaram...

Ainda não tive o momento de me sentir livre de tudo isso. Será que esse dia chega? A tristeza ainda me persegue ao ver mulheres grávidas, casais apaixonados, famílias reunidas... me sinto como uma sombra que espreita e que  sobra de um mundo que não faço parte e não consigo fazer parte. E isso dói. É um sentimento de querer e não querer... e esses quereres são muito cruéis.

- Como cê tá?
- Cê tá legal?
- Como cê vai?
- Cê vai também?
- Cê tá melhor?
- Cê tá em paz?
- Tá tudo bem?
E o que que a gente faz daquela angústia?
- Heim?
E se um dia precisar
De alguém pra desabar
Eu tô por aí