segunda-feira, julho 14, 2014

Saudade (a) Dois...



Queria muito entender a natureza da saudade. E entender porque que sempre meus pensamentos me levam de volta a lugares que me doem tanto...

Queria muito entender a natureza da saudade. E entender porque que sempre os lugares que me doem tanto são os que tem você lá...

E por que mesmo depois de tanto tempo, ainda vivo nessa inconstância de querer e não querer – Ah! os meus quereres... se vocês pudessem ser só as vontades... só as verdades... só as mentiras... só... se com vocês ou sem vocês eu pudesse ser e estar só.

E isso vem como um sopro de morte... um sopro de frio... um tapa na cara. Sem entender como e porque veio, vai... E volta... E vai de novo.

E com isso percebo a natureza sinestésica da saudade. O cheiro, o toque, o gosto, o som, o vento, as cores, as situações, as emoções... tudo, de algum modo, assopra e assombra a brasa de algo que já foi chama. E me chama. E me envolve. E naufrago outra vez em pensamentos perturbadores. E nós se enroscam na garganta.

E fico esvaziado de esperança.

Queria muito entender. A natureza da saudade.



Daqui de dentro o sol é pouco
Eu berro
Pinturas velhas não renovam mais
Meu ar
Vem me acalma
Traz os discos
Fica
O que eu preciso é me esquecer
Me conta mais de você
Esse sorriso é grande ajuda
Fica
Estende o braço e me aponta
Pra onde eu vou
Mentira nada
Eu adorava quando
A luz entrava pra chamar-te
A atenção
Eu sei por que
Eu fiz assim
Eu tive medo de você
Não vai deixar
Que perca o pouco
Que te prende aqui dentro
As cores vão
Se espalhar
Eu vou viver enquanto houver
Um vestígio dos quadros que eu fiz
Esquece a tinta e os pincéis
Não precisamos esconder
Vem
Me abraça forte e diz
Tudo que eu sempre quis dizer
Em suas coxas me prendeu
Em seus seios me sorriu
Só assim pude entender
Só assim que eu te escrevi

terça-feira, julho 01, 2014

Por que nós?

Não foi só ontem... é hoje e depois...
passam meses... passam dias... passam semanas... passam horas... e volte e meia, meia volta, volta inteira me pego pensando como era, como é e como poderia ser... e por que não foi... e por que não poderia ser...
e me pergunto por que não conversar e ver se o que não é não foi e nunca poderá ser ou se pode ser de outro jeito... mesmo que já esteja sendo, está sendo de um jeito que ninguém escolheu, ou escolheu errado... ou ignorou e a vida seguiu cursos adversos... e diversos.

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Por que nós?
Marcelo Jeneci



Éramos célebres líricos
Éramos sãos
Lúcidos céticos
Cínicos não
Músicos práticos
Só de canção
Nada didáticos
Nem na intenção
Tímidos típicos
Sem solução
Davam-nos rótulos
Todos em vão
Éramos únicos
Na geração


Éramos nós dessa vez
Tínhamos dúvidas clássicas
Muita aflição
Críticas lógicas
Ácidas não
Pérolas ótimas
Cartas na mão
Eram recados
Pra toda a nação
Éramos súditos
Da rebelião
Símbolos plácidos
Cândidos não
Ídolos mínimos
Múltipla ação


Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois
Ficam no tempo os torneios da voz
Não foi só ontem, é hoje e depois
São momentos lá dentro de nós
São outros ventos que vêm do pulmão
E ganham cores na altura da voz
E os que viverem verão
Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos