quarta-feira, março 26, 2014

seriam seis

foi dia 25... e acordar nesse dia foi estranho. Acordei me lembrando de como foi acordar nesse mesmo dia há 6 anos... Era uma manhã úmida, com um vento gelado, o céu nublado... me lembro de ter esticado o pescoço pela janela do quarto do apartamento na Glória para ver o sol se esforçando pra nascer, meio preguiçoso entre nuvens, e raiar o dia que seria um dos dias mais felizes da minha vida.

Naquele dia, nossa intimidade não parecia estranha... nossos carinhos pareciam sinceros... nossos beijos, apaixonados.

Amanhecer esse dia, 6 anos depois, sozinho, cansado depois de passar boa parte da noite preparando coisas pro aniversário do fruto desses 6 anos e com essa angústia que cisma em aparecer de vez em quando só pra ver se está tudo bem comigo... não tá sendo fácil.

Junto com as lembranças de tantos dias me veio as promessas do Jardim Botânico... As viagens pra se embrulhar na chuva e frio da serra... as tardes de preguiça no conjugadão de copacabana... os encontros na portaria do antigo prédio da falecida avó... são muitas histórias que voltam cheias de cores, aromas... cheias de vida.

E olhar pro dia melancólico, afastado, sem cor ou graça, doeu. E acordar com o despertador me cutucando o tímpano em vez de acordar e ver o sol nascer, e ver as cores de um dia nublado em vez de atentar ao cinza, e ver a vida acontecendo e não as cinzas de uma história desbotada... doeu.

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Quem me diz
Da estrada que não cabe onde termina
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração
Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer
Vai saber
Se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim
A gente é feito pra acabar
Ah Aah
A gente é feito pra dizer
Que sim
A gente é feito pra caber
No mar
E isso nunca vai ter fim...