quarta-feira, fevereiro 26, 2014

e, de novo, vinte e cinco

E toda a hora vem o eu do passado perguntar para o eu do presente o que tá acontecendo... porque ando tão mudado... 

E toda hora vem o eu do futuro perguntar para o eu do presente o que ele tá fazendo... porque não muda isso ou aquilo...

O fato é que não dá pra voltar atrás e nem acelerar o tempo... e ficar no meio do caminho dá uma angústia sem tamanho. E por que tem tudo mudado com uma velocidade tão feroz que não dá nem tempo de se acostumar com cada volta que o ponteiro dá, com cada volta que o planeta dá, com cada volta que minha cabeça, num frenesi insano, dá... e cada roda que a roda do tempo desenrola...

E cada vez que para no vinte e cinco... dói. Dói bem fundo... e o que será disso tudo? 

Todas as lembranças de carnavais, papos escatológicos, de eclipses no arpoador, de viagens pra serra, de frio, de calor, de risos, de promessas de oitenta anos... tudo se mistura com a divida de 74 anos, com as tardes de silencio, com a vida tomando rumos, com a inoperancia, com a infelicidade, com as incertezas...

Cada qual age como consegue agir...
não tem remédio, nem receita
não existe fórmula externa nem nada que vá mudar isso.

Não há receita nem fórmula...
nem remédio que vá mudar o que foi...

O que resta fazer,
o que ainda posso fazer
é o que ainda virá...

Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte: "O que será do nosso amor?"