terça-feira, dezembro 30, 2014

2015


O tempo não respeita as convenções. Ele segue, sempre em frente.

Não importa se te disseram que esse ano acaba no dia 31 de dezembro quando zerar o relógio. Não importa quantas voltas a terra tenha dado em torno do seu próprio eixo. Não importa se foi uma volta completa em torno do sol. Não importa. Ele não respeita nossas contagens... Ele não está sincronizado com os nossos momentos. Quantos dias e quantas noites passamos para digerir uma história, quantos minutos esperamos para aquele momento tão especial, não liga se você se atrasou pro seu trabalho, se você trabalhou até mais tarde... se você está doente, está feliz ou triste... ele sempre segue.

Fechar um ano, fechar um ciclo, fechar uma história... Iniciar um ano, iniciar um ciclo, iniciar uma história. O tempo não se preocupa com a duração de cada coisa. E essa imposição de 365 dias é um tanto quanto injusta com cada momento.

Tudo isso pra dizer que meu ano novo já começou. Começou no sexto dia de dezembro, quase virando para o sétimo. E que esse ano novo já tem sido muito feliz e com muitos percalços. Ainda com muitos outros por superar.

Um feliz ano novo pra você! que esse 2015, esse número que o tempo pouco se importa, seja muito feliz. Que histórias bonitas sejam contadas, que muitos ciclos se iniciem e se fechem. Que coisas bonitas aconteçam. Seja bem vindo!

terça-feira, dezembro 23, 2014

Coração. Cor ação. Coação ou Coerção.




Me pergunto isso; se coação ou coerção, visto que a diferença entre um e outro é bem sutil. Enquanto que coagir é impor algo contra a vontade alheia (o que certamente meu coração faz comigo muitas vezes) a coerção é como direito do uso da força para impor algo ou, ainda, o direito de reprimir algo (e esse meu coração também faz comigo).

E essa eterna luta em que a minha mente tenta coagir meu coração e meu coração, coagir minha mente, ou minha mente tenta usar coerção contra meu coração e vice-versa é onde, vira e mexe, me encontro. Como Ouroboros.

Olhar pro futuro sempre dá uma muita tranquilidade... desde que se olhe pro passado com ternura, com carinho, e entenda a importância que ele teve para que eu me reconheça no presente, para entender quem eu sou hoje.

Me reconhecer no presente e mirar no futuro e, quando o futuro chegar, abraçar ele como um presente...

Deixar a coerção e a coação em outro lugar... equilibrar os argumentos de um e de outro, dar valor a cor e a ação dos momentos... e sentir o pulso. Coração.

E ele pulsa. Pulsa. Pulsa. Pulsa...

---



Take me with you this time, won't you, won't you?
Don't make me miss you this time
don't you, don't you
We're so much better together don't you think?
I do.


segunda-feira, dezembro 15, 2014

O nosso cotidiano



Somos todos abstrações. Vivemos abstrações. Sentimos abstrações... Mas será que tudo é uma abstração de algo real, como disse Platão?

Existe uma declaração zen-budista que prega o seguinte: "Antes que eu penetrasse no Zen, mas montanhas e os rios nada mais eram senão montanhas e rios. Quando aderi ao Zen, as montanhas não eram mais montanhas e os rios não eram mais rios. Mas, quando compreendi o Zen, as montanhas eram só montanhas e os rios eram só rios." Conseguir perceber e viver a realidade dessas palavras é uma arte.

O Zen é a "consciência do cotidiano". É perceber cada parte de um todo e todo todo em cada parte e encontrar um sentido superior em cada coisa, em cada gesto. Mas porque será que teimamos em viver ao contrário disso?

Essas abstrações vem das nossas negações e da nossa dificuldade em perceber a beleza e a força que existe em cada coisa. E perceber que somos parte desse todo. Ficamos negando o lugar de onde viemos, o idioma que falamos, as pessoas que experimentamos, que convivemos e não mais convivemos, nos trancamos do lado de fora de nós mesmos nessas trevas que são o lado de fora (ou o lado de dentro da caverna) deixando de perceber a luminosidade intensa do lado de dentro de nós, de tudo que somos(ou o lado de fora da caverna).

Escolhemos viver abstrações. Escolhemos ser abstrações. Escolhemos sentir abstrações. Escolhemos isso no momento que negamos o nosso cotidiano e toda beleza contida nisso.

Hoje, exercito a minha percepção sobre as coisas cotidianas. Sobre os meus percursos, meus trajetos. Exercito a percepção sobre de onde vim, onde vivo, meu entorno. Exercito as percepções sobre meus sentimentos, meus medos meus anseios... e por isso que hoje, prefiro dizer; mesmo que amanhã seja outra coisa, ainda que ontem seja diferente. Porque o ontem, o hoje e o amanhã fazem parte da mesma coisa e existem, em cada parte desse todo... Por isso hoje prefiro dizer o que sinto, e só a você pertence e cabe.

---


Tal vez no te di mi amor,
pero mira que me has echo hoy,
me has echo enamorarme de la vida,
es que me has echo enamorarme de mi vida. 

sexta-feira, dezembro 12, 2014

Transliterações

Vamos fazer um empréstimo. Porque empréstimo? Porque vou usar um termo pra explicar outra coisa. 

Bem, Transliteração é quando se tenta equivaler, equiparar, sistemas linguísticos a outro, com o mínimo de perdas. Mas é lógico, as gambiarras existem, para o melhor dos entendimentos. É como tentar adaptar o Russo ao Português... não temos todos os sinais, caracteres, fonemas que o Russo. Por isso, algumas transliterações são realizadas. Um exemplo disso é  دولة الكويت  que na verdade é Dawlat al-Kuwayt e em português significa Estado do Kuwait... Pode ser ainda Kuweit, Koweit, Kuait, Coveite, Covaite, Couaite, Quaite ou Cuaite.

Da mesma forma somos todos nós. Cada um carrega um padrão individual de todas as suas percepções, vivências, experiências, emoções, pensamentos, aprendizados. Vivemos cada dia transliterando em nós tudo que vem do outro pra facilitar nossa interpretação. Claro, com isso ocorrem algumas anomalias, perdas, gambiarras, o que é até aceitável, quando se pensa que cada um de nós é um Estado, independente, com idioma, sistema financeiro, crenças, conflitos. E tudo isso, ainda pode vir em muitas versões, dentro da mesma pessoa.

E nesse meio todo confusões, quero só conseguir traduzir-me e traduzir em mim o que vier pela frente. E transliterar os meus e os seus: "gosto de você", "te adoro", "sinto saudades"...  E transliterar seus sorrisos, seus olhares, seus silêncios... E transliterar seus gestos, seus passos, seus devaneios...

---



E quanto mais a gente esquenta ou tenta achar
Mais inventa com o que se preocupar
O que me importa é a alegria, mostrar que veio pra ficar
Se hospedar no dia-a-dia e não se acomodar
Mas, o que somos nós?
São tantos sinais
Somos tão sós

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Abre as janelas...

" A primavera quer entrar e fazer da nossa voz uma só nota." – CAMELO, M. 


Como era de costume, ela quis se trancar. Em sua casa pré-fabricada, feita de medo, incertezas, inseguranças. E ao entrar, foi passando por coisas, fotos, lembranças. Foi fechando portas, fechando janelas, impedindo a claridade de entrar, tampando cada orifício que pudesse trazer notícias do mundo exterior.

Foi para o fundo do quarto. Acendeu seu candeeiro e se pôs a trabalhar. O trabalho certamente a faria esquecer do que a machucara da ultima vez que tentou sair de sua casa pré-fabricada. Mesmo que os motivos tenham sido sinceros. Ela não pode aguentar a realidade.

Quando terminou seu trabalho, jogou fora. Começou novamente ao lado do seu velho candeeiro, no canto mais profundo da sua casa. E mais uma vez, produziu outro lindo trabalho e, mais uma vez, insatisfeita, jogou fora.

Enquanto isso, do lado de fora vinham as vozes... abre essa janela... a primavera quer entrar...

---

terça-feira, dezembro 09, 2014

as árvores

"A árvore da felicidade vai trazer harmonia ao lar, desde que seja bem cuidada." – Lembro dessas palavras quando nos deram a árvore... Foi seu tio e o namorado que nos deram no dia que fizemos o open house...

A casa se desfez em tantas partes mas me apeguei ao conceito da árvore e fiz de tudo pra que ela continuasse viva. Ela morreu e voltou algumas vezes. E por fim, ressecou, murchou de vez e ficou um cotoco no vaso.

No meio de um dos momentos mais conturbados da minha concha (e em paralelo) meu pai fez algo que sempre fez. Depois de aberto um abacate, ele pegou a semente e colocou num copo com água e ele brotou... Veio cheio de energia até atingir o máximo que poderia atingir naquele recipiente tão diminuto. E toda vez que atingia seu ápice, ele murchava de leve como quem dizia que precisava de mais. E nisso eu apegado a uma árvore que definhava num vaso maior.

Depois que a ponta do abacateiro morreu, nasceu um ramo um pouco mais abaixo e esse também veio cheio de vida. E ainda assim, não o coloquei no vaso. Tentando em vão ressuscitar aquela carcaça de árvore.

A última vez, levei um tapa na cara quando vi que em vez de um broto, dois ramos resolveram sair daquela semente como quem grita: – EU TO VIVO!


Entendi seu recado. Me desfiz da árvore. Plantei o abacate no lugar.

---




Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba

quarta-feira, novembro 12, 2014

apagou

"The candle flickered one last time and died, drowned in it's own wax."


E foi assim que aconteceu. Vi vocês dois e meu deu uma confusão de sentimentos... diferente da primeira vez, com outro cara, que fingi que não vi e me senti muito mal... A parte boa é que sei quem é esse e sei que é uma ótima pessoa. E que pode ser bom pra vocês.

Ainda resta alguma culpa... ainda resta alguma saudade... ainda sobra arrependimento. Mas saber que o mundo gira, e que as coisas se acomodam me deu certa tranquilidade e um resquício de tristeza.

Ontem foi difícil dormir. Fiquei revendo todas as cenas dos últimos 7 anos... e tudo que foi e o que é e o que sobra. E sobra, hoje, muita admiração.

Ainda ando arrumando a casa... sem me sentir plenamente preparado pra ocupar ela com outra pessoa que não seja minha pequena... mas vivendo e respeitando as leis naturais dos encontros.

Espero que tenha a sorte que não pode oferecer por todos os motivos que já sabemos.

E fica também a vontade de mostrar as coisas que mudei de lugar... as coisas que eu aprendi com esse processo (que ainda existe e vai existir por mais uns 73 anos...). Como aquela ultima cena do filme do Woody.... que fica todo mundo bem... e feliz. Acho que estamos chegando lá. Que bom.

---

Entra pra ver
Como você deixou o lugar
E o tempo que levou pra arrumar
Aquela gaveta

Entra pra ver
Mas tira o sapato pra entrar
Cuidado que eu mudei de lugar
Algumas certezas

Pra não te magoar
Não tem porquê
Pra ajudar teu analista:
"Desculpa"

Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Hoje não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém

Mas fica um pouco mais
Que tal mais um café?
Ainda lembra disso?
Que bom

Mas se você quiser
Alguém pra amar
Ainda
Mas se você quiser
Alguém pra anular
Ainda
Desculpa, não vai dar
Não vou estar
Te indico alguém



quinta-feira, setembro 25, 2014

uma volta completa

Lembro das cores... da angústia... do cheiro... do seu desespero... de tudo que rolou aquele dia. Naquela noite. Naquela noite em que me joguei no abismo que era a mentira, pra cair de cara na verdade. Não morri na queda mas me quebrei em muitos mil pedaços e ainda estou tentando me juntar. Imagino como tem sido pra você... 

Ainda tenho medo da minha covardia de não ter querido peitar o meu erro e ter dado seguimento com a história... Mas, ao mesmo tempo, tenho orgulho da minha coragem de não ter seguido com a história. Sim. é tudo muito ambíguo. Me sinto como dois, ou mais, o tempo inteiro.

Dois ou mais. Um feliz por ter colocado a cabeça pra fora do mar e respirado fundo um ar sem vícios. Um triste por ter saído de uma história que poderia ter sido muito diferente do que foi...

Enfim. o mundo girou muitas vezes... e quase deu uma volta completa em torno do sol... e hoje, curiosamente (ou não), dia 25 de setembro... me pego ainda pensando muito sobre tudo isso... sobre os 74 anos que restaram...

Ainda não tive o momento de me sentir livre de tudo isso. Será que esse dia chega? A tristeza ainda me persegue ao ver mulheres grávidas, casais apaixonados, famílias reunidas... me sinto como uma sombra que espreita e que  sobra de um mundo que não faço parte e não consigo fazer parte. E isso dói. É um sentimento de querer e não querer... e esses quereres são muito cruéis.

- Como cê tá?
- Cê tá legal?
- Como cê vai?
- Cê vai também?
- Cê tá melhor?
- Cê tá em paz?
- Tá tudo bem?
E o que que a gente faz daquela angústia?
- Heim?
E se um dia precisar
De alguém pra desabar
Eu tô por aí

domingo, agosto 03, 2014

mas, cara!

do meu olhar pra dentro é uma desolação sem fim... e as vezes finjo não ver... não sentir... não tocar... mas toda hora algo me coloca frente a frente com isso. E o desconforto é enorme.

– Lida com isso, menino!

eu lido... mas, cara....

mascaro sim. e coloco um sorriso no rosto. e vou ver o mundo lá de fora. e vejo os outros sorrisos...

mas, cara?! 

sim. mascaro sim. e vou dar a volta ao mundo pra voltar ao lugar de onde saí e ver a tal da desolação de novo... 

mas, cara!!

sim! eu vou mascarar essa porra de lugar até que, quando eu voltar, ele esteja florido de novo...

mas... cara...

eu sei... só to fugindo de novo. e esses dias que eu fui e voltei e fui e voltei e fui e voltei... diferente de mim, não voltam...

tic... tac... tic... tac... tic... tac...

mas, cara...

...

---

Havia uma sacola com uma mascara
E uma garota a encontrou
De início teve medo
Não sabia o que fazer
E nem como compor
Mas colocou sobre o seu rosto
E lhe caiu tão bem
Ficou

Acometida pela euforia de uma nova
face se lançou
Na rua e o mundo lhe retribuiu com
flores
Ninguém duvidou
Que a mascara cobria um rosto que
antes era só
Temor

E nada parecia lhe fazer parar de
acreditar
Que o novo rosto, e forte, na verdade
sempre fora o seu
E mesmo que alertassem
Ela respondia só
Sou eu

Mas teve um dia que ao descer à rua
O mundo desabou
Outros tantos lindos mascarados
transitavam sem pudor
Ajoelhou com raiva
Olhou pros céus
E antes de gritar
Chorou

E ao se levantar
Olhou pros mascarados
Condenou
São todos falsos
Tantas cópias
De um rosto que antes era meu
Ninguém lhe dava ouvidos
Ela então cansada se desmascarou
E sorriu

E dizem que sorrindo ela entendeu
Que a vida só se dá
Pra quem se deu

segunda-feira, julho 14, 2014

Saudade (a) Dois...



Queria muito entender a natureza da saudade. E entender porque que sempre meus pensamentos me levam de volta a lugares que me doem tanto...

Queria muito entender a natureza da saudade. E entender porque que sempre os lugares que me doem tanto são os que tem você lá...

E por que mesmo depois de tanto tempo, ainda vivo nessa inconstância de querer e não querer – Ah! os meus quereres... se vocês pudessem ser só as vontades... só as verdades... só as mentiras... só... se com vocês ou sem vocês eu pudesse ser e estar só.

E isso vem como um sopro de morte... um sopro de frio... um tapa na cara. Sem entender como e porque veio, vai... E volta... E vai de novo.

E com isso percebo a natureza sinestésica da saudade. O cheiro, o toque, o gosto, o som, o vento, as cores, as situações, as emoções... tudo, de algum modo, assopra e assombra a brasa de algo que já foi chama. E me chama. E me envolve. E naufrago outra vez em pensamentos perturbadores. E nós se enroscam na garganta.

E fico esvaziado de esperança.

Queria muito entender. A natureza da saudade.



Daqui de dentro o sol é pouco
Eu berro
Pinturas velhas não renovam mais
Meu ar
Vem me acalma
Traz os discos
Fica
O que eu preciso é me esquecer
Me conta mais de você
Esse sorriso é grande ajuda
Fica
Estende o braço e me aponta
Pra onde eu vou
Mentira nada
Eu adorava quando
A luz entrava pra chamar-te
A atenção
Eu sei por que
Eu fiz assim
Eu tive medo de você
Não vai deixar
Que perca o pouco
Que te prende aqui dentro
As cores vão
Se espalhar
Eu vou viver enquanto houver
Um vestígio dos quadros que eu fiz
Esquece a tinta e os pincéis
Não precisamos esconder
Vem
Me abraça forte e diz
Tudo que eu sempre quis dizer
Em suas coxas me prendeu
Em seus seios me sorriu
Só assim pude entender
Só assim que eu te escrevi

terça-feira, julho 01, 2014

Por que nós?

Não foi só ontem... é hoje e depois...
passam meses... passam dias... passam semanas... passam horas... e volte e meia, meia volta, volta inteira me pego pensando como era, como é e como poderia ser... e por que não foi... e por que não poderia ser...
e me pergunto por que não conversar e ver se o que não é não foi e nunca poderá ser ou se pode ser de outro jeito... mesmo que já esteja sendo, está sendo de um jeito que ninguém escolheu, ou escolheu errado... ou ignorou e a vida seguiu cursos adversos... e diversos.

---
Por que nós?
Marcelo Jeneci



Éramos célebres líricos
Éramos sãos
Lúcidos céticos
Cínicos não
Músicos práticos
Só de canção
Nada didáticos
Nem na intenção
Tímidos típicos
Sem solução
Davam-nos rótulos
Todos em vão
Éramos únicos
Na geração


Éramos nós dessa vez
Tínhamos dúvidas clássicas
Muita aflição
Críticas lógicas
Ácidas não
Pérolas ótimas
Cartas na mão
Eram recados
Pra toda a nação
Éramos súditos
Da rebelião
Símbolos plácidos
Cândidos não
Ídolos mínimos
Múltipla ação


Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois
Ficam no tempo os torneios da voz
Não foi só ontem, é hoje e depois
São momentos lá dentro de nós
São outros ventos que vêm do pulmão
E ganham cores na altura da voz
E os que viverem verão
Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos

sábado, junho 07, 2014

time travel

nessas tantas da vida... se me perguntassem que super-poder eu escolheria e sempre pensei no teletransporte, sem pestanejar...

ultimamente, tenho pensado mais no poder de viajar pela linha do tempo... tem tanta coisa que eu hoje penso que eu poderia ter feito melhor...
tanta coisa que eu poderia ter feito melhor...
tanta coisa...

agora, nesse minuto, se eu pudesse voltar no tempo, teria voltado no inverno de 2008, petrópolis – nos jardins daquele museu.... ou voltaria na primavera de 2008, no jardim botânico do rio... ou voltaria em setembro de 2010... ou voltaria naquela viagem pra tiradentes... ou pra quando mudei pra niteroi... ou pra alguns meses passados...

voltaria.... mas dizem que a vida sempre corre pra frente, nunca pra trás... então porque será que não consigo ir além?


---
When I thought I was ok 
You said I was alright 
As the night comes crashing down 
We catch ourselves a line 
Yeah we're only makin' out 
If we make it out alright

terça-feira, maio 27, 2014

Diabetes

Os dias vão passando muito rápido... e o hábito não muda... o de continuar contando os meses no seu vigésimo quinto dia... puxa vida.... como isso ainda dói... não posso evitar.

É como ter uma ferida e esperar toda vez que passar pela quina de lugar qualquer e topar nela e ela abrir e sangrar e doer e chorar...

As vezes me pego lembrando do dia que chegamos nesse apartamento... eram tantas divergências em mim... e a foto que fiz de você na janela com um sorriso misturado de ansiedade e medo... e eu estava semi-presente... como isso dói...

dói sim... e a ferida abre...e sangra... e doí... e choro...

não sei porque... sei que a vida era mais doce em outros tempo... e de tão doce, o machucado não cicatriza... diabetes na certa...

But i miss you
But there's comin' home
There's no comin' home
With a name like mine
I still think of you
But everyone knows
Yeah everyone knows
If you care, let it go

quinta-feira, maio 01, 2014

promessas...


em uma tarde qualquer de um outono passado...

– não quero nada pra sempre... pra sempre sempre acaba. Te quero todo dia.
– combinado então
*cospe na mão de mentirinha e aperta*
– te quero todo dia por 80 anos. combinado?
– combinado.

...

como isso se perdeu?

quarta-feira, março 26, 2014

seriam seis

foi dia 25... e acordar nesse dia foi estranho. Acordei me lembrando de como foi acordar nesse mesmo dia há 6 anos... Era uma manhã úmida, com um vento gelado, o céu nublado... me lembro de ter esticado o pescoço pela janela do quarto do apartamento na Glória para ver o sol se esforçando pra nascer, meio preguiçoso entre nuvens, e raiar o dia que seria um dos dias mais felizes da minha vida.

Naquele dia, nossa intimidade não parecia estranha... nossos carinhos pareciam sinceros... nossos beijos, apaixonados.

Amanhecer esse dia, 6 anos depois, sozinho, cansado depois de passar boa parte da noite preparando coisas pro aniversário do fruto desses 6 anos e com essa angústia que cisma em aparecer de vez em quando só pra ver se está tudo bem comigo... não tá sendo fácil.

Junto com as lembranças de tantos dias me veio as promessas do Jardim Botânico... As viagens pra se embrulhar na chuva e frio da serra... as tardes de preguiça no conjugadão de copacabana... os encontros na portaria do antigo prédio da falecida avó... são muitas histórias que voltam cheias de cores, aromas... cheias de vida.

E olhar pro dia melancólico, afastado, sem cor ou graça, doeu. E acordar com o despertador me cutucando o tímpano em vez de acordar e ver o sol nascer, e ver as cores de um dia nublado em vez de atentar ao cinza, e ver a vida acontecendo e não as cinzas de uma história desbotada... doeu.

---


Quem me diz
Da estrada que não cabe onde termina
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração
Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer
Vai saber
Se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim
A gente é feito pra acabar
Ah Aah
A gente é feito pra dizer
Que sim
A gente é feito pra caber
No mar
E isso nunca vai ter fim...

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

e, de novo, vinte e cinco

E toda a hora vem o eu do passado perguntar para o eu do presente o que tá acontecendo... porque ando tão mudado... 

E toda hora vem o eu do futuro perguntar para o eu do presente o que ele tá fazendo... porque não muda isso ou aquilo...

O fato é que não dá pra voltar atrás e nem acelerar o tempo... e ficar no meio do caminho dá uma angústia sem tamanho. E por que tem tudo mudado com uma velocidade tão feroz que não dá nem tempo de se acostumar com cada volta que o ponteiro dá, com cada volta que o planeta dá, com cada volta que minha cabeça, num frenesi insano, dá... e cada roda que a roda do tempo desenrola...

E cada vez que para no vinte e cinco... dói. Dói bem fundo... e o que será disso tudo? 

Todas as lembranças de carnavais, papos escatológicos, de eclipses no arpoador, de viagens pra serra, de frio, de calor, de risos, de promessas de oitenta anos... tudo se mistura com a divida de 74 anos, com as tardes de silencio, com a vida tomando rumos, com a inoperancia, com a infelicidade, com as incertezas...

Cada qual age como consegue agir...
não tem remédio, nem receita
não existe fórmula externa nem nada que vá mudar isso.

Não há receita nem fórmula...
nem remédio que vá mudar o que foi...

O que resta fazer,
o que ainda posso fazer
é o que ainda virá...

Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte: "O que será do nosso amor?"

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

o que que falta?


eu realmente não sei o que que faço com essa dor estranha que me assombra... sons, texturas, aromas, gostos... mesmo que não lembrem, mesmo que não tenham nada a ver com essa história insana, eles me levam, me transportam pra um momento em que antes eu não diria que era feliz... mas que hoje me faz toda a falta do mundo... e sinto o coração apertando e levando com ele cada fibra do meu peito, quebrando costelas, perfurando pulmões, expulsando qualquer resquício de alegria que, por ventura, possa ter se aproximado... é muito dolorido arrancar algo de dentro...

fica uma sensação escrota de "dor do membro fantasma"... sensação de que vou acordar um dia e isso tudo terá sido um sonho ruim... sensação de não saber o que fazer e, como um avestruz, querer enfiar a cabeça num buraco e só tirar quando isso tudo passar...

mas até quando? porque isso não passa logo?! o que que falta?!

sei que cada vez que existe um encontro, uma parte de mim se desprende e desaba tudo dentro de mim... quantas partes mais restam...



"Sempre que der
Mande um sinal de vida de onde estiver dessa vez
Qualquer coisa que faça eu pensar que você está bem
Ou deitada nos braços de um outro qualquer
Que é melhor
Do que sofrer 
De saudade de mim como eu tô de você, pode crer
Que essa dor eu não quero pra ninguém no mundo
Imagina só pra você"

sexta-feira, janeiro 31, 2014

hoje eu não acordei, hoje não vou dormir.

*telefone tocando*

Ah não... outra vez!? que coisa chata...

- "Alô!? Que você quer... de novo!?"

- "Cara... tá dando uma merda enorme aqui... queria te pedir pra mudar alguma coisa que você tá fazendo por aí..."

- "Que merda?! Cara, não tá fácil por aqui também... você acha que tudo pode ser diferente, que tudo pode ser mais legal, que tudo pode ser mais bonito. Mas, olha só: NÃO É ASSIM! E vê se para de ligar pra ficar me enchendo a porra do saco..."

- "Peraí, cara... eu só to querendo te ajudar... eu já passei por isso! E é só por isso que to te ligando... pra te dizer que se você continuar assim... vai dar merda!"

- "Você acha que já passou por tudo, né?! Que sabe de tudo, né!? Porra... não to conseguindo! não aguento mais isso tudo que tá rolando... tem hora que eu só queria apagar... dormir... não acordar... eu já acordo com vontade de dormir... e vou dormir querendo não acordar... tá muito difícil viver lá... tá muito difícil viver aqui... tá muito difícil ficar ouvindo você me falar que vai dar merda. Advinha: já tá dando..."

- "Eu to vendo que tá dando... só quero o seu melhor... pra que eu possa ter o meu melhor também... levanta essa cabeça! Vá a luta!"

- "Não enche, cara... vá caçar o que fazer... tenta fazer melhor desse lado daí... tchau! foda-se tudo..."

- "... tu,tu,tu,tu..."

Essa merda de futuro cisma em ficar me ligando... se ele soubesse que ser presente é uma merda...



terça-feira, janeiro 28, 2014

Chuva

A última notícia que soube é que ela procura não mais ficar sozinha. Parece que tem medo... é sim. Evita ir pra casa, e quando o faz, faz o mais tarde possível para que, então, possa só tomar banho, escovar dentes, dormir... e esperar que chegue o próximo dia.

Sei... também acho um comportamento estranho. Mas ela não pode evitar. Ainda fica tudo meio dolorido. Voltar a morar naquela casa mexeu com ela. E ela fica triste... foi o que ela me disse. "Tem muita memória no que sobrou... nas coisas que não foram levadas... nas coisas que foram esquecidas... tem muita lembrança lá."Foi isso que ela disse...

E fica tudo enchendo... enchendo... enchendo... Um dia isso ainda vai precipitar, sabe? Que nem chuva... não sei o que vai sobrar quando isso acontecer...


O vazio é um meio de transporte 
Pra quem tem coração cheio

domingo, janeiro 26, 2014

Ciclos artificiais

Quem disse pra ele que se fechou um ciclo e se iniciou outro só porque completou-se uma volta de 365 dias?... mais uma volta dentre tantas... e muitos ciclos abrindo e fechando em menos ou mais tempo que isso.

E dessa vez se completa mais um ciclo do dia 25. E nada muda direito ainda. Continua tudo meio morno, meio manso, meio insosso. Sem gosto. Ou com um gosto um tanto amargo, um tanto ácido.

Soube que ele ocupa a mente e o tempo pra não tentar pensar tanto. E, naquele dia que um desses ciclos de 365 dias se fechou, teve ainda menos importância. Diz ele que foi porque a única pessoa que ele esperava que perceberia e daria o tão desimportante parabéns, não o fez. E isso calou fundo dentro dele. E fez com que esse ciclo dos 25 fosse ainda mais sem graça... Esse mamute não aprende mesmo.

Mas deixa estar... somos todos como objetos contra a luz... e nesse momento, quem vê esse tal mamute, precisa ver que ele estar moving on. Já que são tantos ciclos de calendários tão aleatórios acontecendo ao mesmo tempo, vamos fingir que esse tá andando também, disse ele.

E a gente vai levando.

"Evito a foto sobre a mesa
E ninguém aqui vai notar
Que eu jamais serei a mesma..."