terça-feira, dezembro 03, 2013

Caminho

Ela? Parece que morreu... Anda tão triste e pra dentro que até curvada, miúda e doente ela parece. Parece as vezes que ela se desprende do chão e levita... sabe?! Como uma nuvem... esperando que a primeira brisa a leve embora daqui... prá longe. Longe. Longe é onde ela está agora.

Sua alma anda tão doente que sua pele está doente também, e a sua voz sumiu. Não fala mais. Não canta mais. E quando cisma em tentar, canta músicas tristes e chora no meio molhando a letra e deixando tudo indefinido. E sua voz fica diminuta, embargada, triste, torta.

Já ouvi ela dizer que seu maior desejo é dormir. Que curioso, né? Mas o dormir dela é pra não acordar mais. Se esconder atrás das pálpebras cerradas e se encerrar nisso. Só que a vida não deixa... tem que acordar, tem que levantar, tem que trabalhar e deixar que no final de outro dia o sono possa se encarregar de sumir com ela... e ela, mais uma vez dorme, afogada em suas lágrimas, em um sono preto e sem sonhos como quem quisesse deixar de existir.

Mãe, lembra de onde eu vim
Que a vida é a razão
E eu não volto mais

segunda-feira, novembro 25, 2013

Dia do Mamute



Todo mês tem esse dia... e ultimamente, é o dia que chove, é o dia que tudo fica mais cinzento, mais soturno, mais triste... é o dia do mamute. 

É o dia em que se prolonga a ansiedade, o medo... dia do mamute.

E só porque esse mamífero queria voar... tentava, tentava... até que conseguiu e nunca mais voltou... merda, disseram. Talvez seja mesmo, talvez não. Só o futuro dirá. Mas ainda assim, no futuro haverá o dia em que o mamute será lembrado.

Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão

nasce o morre trigo... vive e morre pão.

terça-feira, outubro 29, 2013

Castelo de areia e a máquina do tempo (ensaio)

Era o final do último solstício. O construtor de castelos de areia tinha acabado de fazer sua obra mais bonita. E como era imensa! Muitos cômodos... muitos aposentos... muita vida e espaço... E ele gostou tanto que decidiu morar nesse castelo mesmo sem se importar com a proximidade da beira e com iminente subida da maré.

Eis que, numa das suas caminhadas matinais ele tropeçou em algo metálico na areia e começou a cavar... cavar... cavar... no fim, descobriu que tinha encontrado uma máquina do tempo! Ficou muito feliz com o achado e carregou para o castelo.

Lá chegando, foi logo tratando de ligar a máquina para saber o resultado do seu maior medo: Abandonar sua obra-prima, o castelo mais bonito que já existiu ou tentar de todos os modos construir desvios, muros, buracos para impedir que a maré destrua esse seu bem precioso...

E agora?! o que fazer...

E pra responder a essa pergunta ele entrou na máquina do tempo e ajustou para dali há uns anos para ver o que restaria do castelo se ele decidisse ficar ou como ele viveria se decidisse se mudar...

1...2...3... e ele apertou e apertou bem os olhos. quando abriu... ainda estava no mesmo lugar... e percebeu que a máquina não funcionava...

"E se eu fosse o primeiro a voltar 
Pra mudar o que eu fiz, 
Quem então agora eu seria?"