segunda-feira, março 08, 2010

Castelo de areia

Foram horas, dias, semanas... tanta dedicação. Não ouvia os chamados naturais que indicavam que aquilo poderia acontecer... Os estrondos ao longe das ondas quebrando não tiravam sua atenção e ele continuava ali, insistentemente ali, edificando com esmero cada parte de seu belo castelo.

Uma obra que seria prima se tivesse sido construída em lugar diferente da beira-mar. Não é ali lugar propício para castelos quando se deseja que este seja grande, forte, inabalável e duradouro. Não era ali lugar propício para se dedicar tanto para tentar construir o castelo perfeito. Não era ali o lugar proprício.

Quando então os barulhos foram altos demais, os chamados fortes demais, as aflições fortes demais e quando se deu conta a praemar já alcançava os jardins daquela bela construção. Tentou correr, colocar obstáculos, colocar desvios para a força das águas... mas aquele era o território do mar e uma hora ele viria reclamar seu direito.

Aos poucos, onda por onda o castelo foi desmantelado até só restar água e a maré alta já ocupava e se misturava às lágrimas salobras do construtor por ter perdido obra tão promissora, tão imponente, tão forte... mas virtualmente.

Não há mais muito o que fazer... o castelo se foi e com ele todo o trabalho, todo o sacrifício, toda a dedicação... foi-se numa onda de fúria e descontrole que colocou tudo a baixo.

Só resta esperar a vazante. Com a maré-baixa, reavaliar as sitações. Tentar construir, então, o castelo novamente.

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Solidão de manhã,
Poeira tomando assento
Rajada de vento,
Som de assombração, coração
Sangrando toda palavra sã

A paixão puro afã,
Místico clã de sereia
Castelo de areia,
Ira de tubarão, ilusão
O sol brilha por si

Açaí, guardiã
Zum de besouro um imã
Branca é a tez da manhã