sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Estação da espera



E ali ela estava depois do trem partir consigo. Estava na estação vendo-se ir para mais uma viagem onde ela iria procurar por ela própria sem perceber que ela estava ali com ela mesma.

E a sensação de não se ter mais perto a deixou com uma angústia sem tamanho e não ficou ali parada, quis partir para tentar encontrar-se antes do fim.

Não tem mistério não, é só uma busca sem fim para entender porque essas fugas de si são tão necessárias para a manutenção de sua individualidade. O grande mistério é então entender o por quê de tanto desencontro.

Nos segundos que se passaram do inicio do rompimento da inércia da locomotiva ela ouvia ao fundo o som de uma radiola que cantarolava com som distorcido a música Adeus você e fez sentido as palavras que entoavam que as vezes se perder sem ter porque sem ter razão...

Enquanto se via ir de trem para a busca ela se virou e começou a pensar por onde começara procurar por si mesmo. Do alto da plataforma começou a corrida em busca de si mesmo mais uma vez, para no fim ter a palestra consigo numa típica crônica urbana.

Ilustração: Isis Karol (http://www.fotolog.com.br/jbacante)