quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Como um Jazz

Acordou cedo. Sua preguiça era tanta que mal conseguiu abrir os olhos para ver dançando no vidro da janela os primeiros raios da aurora daquele dia quente que se iniciava e ainda tinha a cabeça inebriada por sonhos esquisitos.

Passados o que pareciam incontáveis minutos se levantou, olhou de um lado ao outro tentando desvendar em que lugar se encontrava e ao compasso seis por oito suas ideias foram sendo enfileiradas já sob o jato frio do chuveiro.

Tons improvisados de sua memória e sentimentos foram caminhando porta a fora carregando consigo os vocais dos metais que entoavam o tom matinal daquele momento em blues notes.

A paisagem polirrítmica aguçava ainda mais hipocondria trazida pelo barulho do despertador retirando dos sonhos esquisitos e inebriantes que o deixaram com gosto amargo por provar mais uma vez a realidade de um dia inteiro.

Vozes roucas e sincopadas o acompanhavam rumo a sua parada de ônibus para mais uma vez esperar pelo fim do dia e para então poder matar as saudades nos seus sonhos esquisitos.