quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Colorblind

"El que mucho abarca, poco aprieta." Como uma amiga disse para mim depois de ler o post anterior, sabedoria popular argentina.

Não preciso ser daltônico para perceber que hoje o dia amanheceu preto e branco. Basta só não conseguir dormir quase a noite toda e amanhecer chovendo por dentro, como do lado de fora. A manhã chuvosa da tão esperada frente fria só intensificou a sensação de monocromia do momento. E tudo que era tão simples passa a ficar tão complexo.

Porque não é tão fácil mostrar que o sentimento é sempre único, mesmo que ele venha suportado por tentativas e erros do passado? Como fazer para parecer ser o que é, pautado, verídico e cumprido?

A angústia é que pelo que não vai ser vivido, pelo que vai ser dispensado, como dizia Drummond, a dor advém do não cumprido, acho que é algo desse gênero.

E o trem não vai parar, a vida vai seguir... com ou sem essa dor, o tempo não perdoa e acalma, o tempo cura.


[No, I'm not colorblind
I know the world is black and white
I try to keep an open mind
But I just can't sleep on this tonight]

E a cura pra essa dor não se encontra em farmácia.