sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Clareira no tempo

E como ter um candieiro no breu. Você só vê o que está nesse raio do alcance do candieiro, o que está a frente, é só uma espessa cortina negra de mistério. Não dá pra iluminar mais do que a luz do candieiro toca...

Tudo ainda muito turvo, tudo ainda muito quente, pulsante, sangrando. É como se no tempo abrisse uma clareira e nessa clareira um buraco e tragasse toda a existência para dentro dele deixando só você e seu candieiro, e tudo que a luz toca sumisse, e tudo que fosse oculto não mais pudesse ser revelado.

Como algo que provém de fatos idênticos, em algum determinado momento do tempo parado, tudo que foi tragado é cuspido de volta de qualquer jeito, sem qualquer ordem, sem qualquer cuidado.

Agora é só ter cuidado para saber onde pisar, o que fazer, e escolher dentro da luz do candieiro nessa imensidão o que melhor for oferecido pelo breu.

---

Fez-se mar,
Senhora o meu penar
Demora não, demora não

Vai ver, o acaso entregou
Alguém pra lhe dizer
O que qualquer dirá

Parece que o amor chegou aí
Parece que o amor chegou aí
Eu não estava lá, mas eu vi
Eu não estava lá, mas eu vi

Clareira no tempo
Cadeia das horas
Eu meço no vento
O passo de agora
E o próximo instante, eu sei, é quase lá
Peço não saber até você voltar

http://www.youtube.com/watch?v=NK1_1p_jv28