domingo, janeiro 31, 2010

Código praiano



Esse final de semana fui a praia, coisa rara de se acontecer... não gosto tanto de praia. Bem, não gosto por me parecer suja, caótica de mais, por ter sal na água, enfim, por motivos dos mais diversos. O mais interessante é que sempre que vou adoro. A paisagem é linda, os Dois irmãos ao fundo é sensacional, os corpos dourando, as ondas quebrando e em raros momentos, só o seu barulho do abraço com a costa.

Foi mais ou menos assim que aconteceu: Cheguei com um grande amigo, que não é do Rio, para passar algumas horas e já fiquei frustrado com tamanha sujeira e começamos a discutir sobre ela e as pessoas que frequentam e contribuem para o acúmulo de tranqueiras na água e areia. Em determinado momento ele disse que era assim mesmo e que a praia é democrática. Parei por alguns instantes de ouvir o que ele estava dizendo, de escutar os vendedores gritando suas mercadorias, de perceber as crianças correndo jogando areia umas nas outras, de reparar nos micro-biquinis das meninas esculturais, de sentir a água batendo no pé para se formar na minha cabeça um imenso, sonoro, em caixa alta e negrito NÃO! E depois percebi que esse "não" tinha ultrapassado as barreiras do meu pensamento e fora externado. Entendi que tinha saído quando vi a perplexidade estampada na cara de Vítor, meu amigo.

Passado esse choque eu expliquei os motivos óbvios da sujeira, do tumulto e de tudo e pensei numa ótima solução, ao meu ver, para resolver esse problema: Todos deveriam ser habilitados para ir a praia. Sim, isso mesmo, habilitação de praiano. O cidadão faz um curso teórico, faz exames físicos e psico-técnicos, uma prova teórica e outra prática, assim como na auto-escola. Isso para aprender a recolher sua sujeira, não levar seu limpo canino para a areia, não jogar frescobol nem futebol na beira da praia, não ficar torrando no sol deixando o corpo com cores não saudáveis, aprendendo a se comunicar em tons aceitáveis, e não fazendo suas necessidades na praia... Então deveria institucionalizar-se um manual de normas e condutas com penalidades, assim como o código de trânsito, criaria-se, então, o Código Praiano, com multas, penalidades e possibilidade de ter sua permissão de ir a praia suspensa ou cassada diante da gravidade dos desvios de comportamento.

Parece viagem de gente chata isso... bem sou assim também.
Mas acho que daria certo.