quinta-feira, fevereiro 05, 2009

É a natureza humana...

... a busca pelo impossível. Mas aqui, vamos tratar da busca da perfeição física. E isso eu digo que é da natureza humana por motivos que vou tentar comprovar e que são ancestrais. Vou usar três exemplos para provar.

O senso estético e sua função mudaram muito nos últimos 22 mil anos. Existiu um artefato que se acreditava proporcionar maior fertilidade. Era a Venus de Willendorf (http://academics.smcvt.edu/awerbel/Survey%201%20Exam%20Study/Venus%20of%20Willendorf.png). Esse artefato possui forma que é quase improvavel de se encontrar em um ser humano normal. Claro que ele tinha um propósito ligado à crença daquele povo. Seus seios, abdomem e nádegas super-aumentadas eram seus indices de fertitlidade feminina, que transformada em objeto com fins "religosos". Talvez esse não seja o melhor exemplo, mas mostra uma busca por estética corporal impossível. Acreditava-se que mulheres com os mesmos atributos que esta estatueta de 11 cm possui era extrememante fértil, tornando isso um padrão estético corrente.

Dando um salto na história, vamos parar na grécia, cerca de 5 séculos antes do nascimento de Cristo. Nos arredores do mar Jônico existiu um escultor chamado Fídias. Qual a importância desse sujeito? Ele praticamente ditou o padrão estético que se seguiu, depois incorporado por outros gênios como Michelangelo.

As obras que usarei para mostrar isso são os Bronzes de Riace, que hoje estão no Museu Nacional da Magna Grécia. Suas obras são colossais. O seu marco é como ele posicionou seus modelos. Foi uma técnica praticamente cartesiana. Dividiu o corpo em 4 zonas bem marcadas. Em cada um dos quadrantes, ele colocou um membro e flexionou alguma articulação do corpo de modo que cada parte fique diferente uma das demais (http://nuke.greenitalyre.com/Portals/0/Bronzes%20of%20Riace.jpg

A forma é perfeita não é? Não. Não é perfeita. Ela parece ser perfeita mas é uma forma física impossível de se alcançar. Com um conhecimento de anatomia se consegue entender o motivo.
Ao se analisar a escultura se percebe que os sulcos que dão a forma dos músculos são mais profundos que os de um humano normal. E a contração de alguns músculos, como os do peitoral, o oblíquo e parte inferior do abdomem são impossíveis de se realizar nas posição em que o corpo foi esculpido. Até o cóxi (http://www.wel.it/Welcome/Calabria/Bronzi/img/bronzi1.gif) foi removido para dar forma mais arredondada aos glúteos.

O padrão adotado por Fídias foi muito usado e aperfeiçoado por seus sucessores.

Mas porque falar disso? Não sei. Não faço ideia. Mas me ajuda a compreender algumas coisas de mim e do ser humano. Me faz compreender que nunca estaremos satisfeitos, que sempre buscaremos o inalcançável, e que sempre teremos um padrão imperfeitamente perfeito para guiar essa jornada. Sendo isso bom ou ruim. Me faz entender que essa nossa neura com a busca da perfeição estética é algo que tem uma conexão muito estreita com a nossa incapacidade de aceitar nossas imperfeições e de idolatrar quem consegue alcançar essa ilusão. E agora fica até fácil chegar lá, é só conseguir pagar um bom cirurgião plástico...

Enfim... Somos humanos.