sexta-feira, outubro 03, 2008

O Poeta e a Luz

Poeta. Indivíduo que sonha a vida.
Indivíduo que vive sonhos.
Um menino que transforma estrelas em palavras
transforma sofrimento em beleza
e beleza em perfeição.

Poeta. Cego. Vive num mundo de sombras,
Vive num mundo de breu.
Busca constante pelo que nunca vai existir
Um pobre menino. Um pobre poeta.

Por vezes não se preocupa com métrica
Por vezes não se preocupa com rima
E às vezes é a coisa mais certa
Por não ter nada que prenda, defina.

E o definitivo não combina com o produto
Esse produto é feito de som... de dor... de lágrimas... de amor
Esse produto é feito de riso... sem siso... sem culpa... de amor

O poeta é cego num mundo escuro.
E eis que ocorre o inseperado
Uma explosão luminosa!

O poeta percebe que não é cego
O poeta estava... e via que o breu some com a luz
Que o calor chega com a luz
Que a vida toma curso com a luz
Que a luz é o que o poeta busca

O poeta, não mais cego,
Se atrai como um inseto miúdo
O poeta, não mais cego,
Se torna vulnerável à essa armadilha luminosa...
O poeta não é cego; é um menino.

E o poeta não se faz nem homem nem mulher.
E o poeta não se faz nem certo nem errado.
O poeta se faz menino e caçador de luz

Pra que seu produto seja
Feito de som, sem dor... de lágrimas de amor... de riso... sem siso e sem culpa
feito de coisa maluca... feito com luz... feito.

Feito um poeta e a luz.