sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Através

Olhando para o mundo. E é tudo tão vasto que dá para se perder nos pensamentos e confusões.

Olhando para as situações e pensamentos que se formam dentro de uma caixa que se comunica com exterior atráves dos sentidos. Se comunica.

Participa de tudo ou espia tudo?

Olhando atrávés de janelas. Estas são fascinantes. Conectam o interior com o exterior em diversos níveis e consciências. Transmitem e recebem. São caminho de mão-dupla.

A face se esconde entre cortinas para tentar não demonstrar o seu interior e, curiosamente, quase todos fazem isso.

Já tentei me perguntar porque isso acontece... mas acho que para quem pergunto também está por detrás de cortinas.

Sorrisos são as janelas mais fiéis. Tímidos ou tensos, felizes ou descontentes, simples ou amargurados, bonitos ou apaixonados. Me encanto por sorrisos.

Os olhos encortinados. Ouvidos seletivos. Narizes , involuntários. Pensamentos insaciáveis...

A alma e o mundo se comunicam como quando olhamos pela janela e vemos dias ensolarados ou pesadas nuvens carregadas. A alma é um mundo paralelo e embriagante. O mundo uma realidade que por vezes é dura e suave.

A alma é gigante e miúda, ultrapassa os limites de qualquer janela.

Quem olha por ela pode não estar preparado para entender ou captar o que a alma mostra.

Sorriso, afagos, olhares e beijos.

Tento captar sinais. Mesmo quando tudo parece mais confuso ou obscuro... A vida não pára. As vezes tudo parece acelerar, tudo parece reduzir, tudo parece aproximar. Enquanto isso, vai-se participando... ou seria espiando?

Paciência. Janelas pedem isso ao serem encaradas frente-à-frente, pedem um minímo de atenção para que se enxergue além de suas cortinas, além de seus bloqueios e aparas. Tudo segue. Pedem um pouco de respeito por sua amplidão, por sua vontade de expressar um desejo interior... um desejo da alma.

Olho agora pela janela. Vejo uma via, um caminho e rumo ao ninho. Rumo ao colo, ao aconchego que só quem mais te conhece pode dar. Rumo a pessoa que olha pela janela desde antes de se exitir. Um Retorno à mim mesmo.

E o vento se mistura com as lembranças de tempos felizes, olhando por uma janela. E o passado se mistura com as expectativas de um dia seguinte, onde se lembra das coisas que vão acontecer, onde se imagina o que já aconteceu, onde tudo lembra e tudo se cria em um misto de fragmentos e de partes sólidas que nunca se digerem.

E ver o Sol se erguer por entre os dedos entrelaçados do passado com o futuro. Projetando desenhos na parede da janela. Projetando tudo o que ainda vai surgir.

Através, além de, por algum percurso tortuoso ou não, a alma segue e leva o aroma que desperta o desejo de ver o dia seguinte cada vez mais.

Parece que tudo isso é um pouco confuso, mas se você entender alguma coisa...