segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Talvez

Palavra de força. Nos exime de qualquer responsabilidade. É um simples "Talvez" faça, vá, apareça...

Acumula toda a essência que Horácio, o poeta romano, quando disse para que colhamos o dia, aproveitemos o fruto novo pois amanhã ele pode apodrecer.

Carpe Diem. Talvez. Colha o dia.

Talvez tenha força de ser algo descompromissado com um futuro próximo, curto, remoto. Ele te exime de tudo.

Talvez seja redenção, talvez seja sorte, talvez é acaso.

Nos dá segurança. Abre as portas do quarto e te aproxima da individualidade que talvez queira ser respeitada.

Talvez seja tudo montes de besteiras. Talvez não.

Ele nos deixa fugir, beija a boca e sai, surge a noite, some ao dia, vai e nos encontra... mas só talvez.

São curvas, são imprevisíveis, são boêmios, árcades, românticos, pós-modernos-contrutivistas-abstratos-urbanos... Talvez é tudo quando nada é nada. Talvez é nada.

Talvez é como a Rede de Lenine... Controla as ondas cerebrais.

Talvez nos arranque da inércia, talvez nos dê possibilidades. Ultrapassa todos os compromissos.

Talvez dirá tudo de forma mais clara algum dia. Mas, só talvez...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Através

Olhando para o mundo. E é tudo tão vasto que dá para se perder nos pensamentos e confusões.

Olhando para as situações e pensamentos que se formam dentro de uma caixa que se comunica com exterior atráves dos sentidos. Se comunica.

Participa de tudo ou espia tudo?

Olhando atrávés de janelas. Estas são fascinantes. Conectam o interior com o exterior em diversos níveis e consciências. Transmitem e recebem. São caminho de mão-dupla.

A face se esconde entre cortinas para tentar não demonstrar o seu interior e, curiosamente, quase todos fazem isso.

Já tentei me perguntar porque isso acontece... mas acho que para quem pergunto também está por detrás de cortinas.

Sorrisos são as janelas mais fiéis. Tímidos ou tensos, felizes ou descontentes, simples ou amargurados, bonitos ou apaixonados. Me encanto por sorrisos.

Os olhos encortinados. Ouvidos seletivos. Narizes , involuntários. Pensamentos insaciáveis...

A alma e o mundo se comunicam como quando olhamos pela janela e vemos dias ensolarados ou pesadas nuvens carregadas. A alma é um mundo paralelo e embriagante. O mundo uma realidade que por vezes é dura e suave.

A alma é gigante e miúda, ultrapassa os limites de qualquer janela.

Quem olha por ela pode não estar preparado para entender ou captar o que a alma mostra.

Sorriso, afagos, olhares e beijos.

Tento captar sinais. Mesmo quando tudo parece mais confuso ou obscuro... A vida não pára. As vezes tudo parece acelerar, tudo parece reduzir, tudo parece aproximar. Enquanto isso, vai-se participando... ou seria espiando?

Paciência. Janelas pedem isso ao serem encaradas frente-à-frente, pedem um minímo de atenção para que se enxergue além de suas cortinas, além de seus bloqueios e aparas. Tudo segue. Pedem um pouco de respeito por sua amplidão, por sua vontade de expressar um desejo interior... um desejo da alma.

Olho agora pela janela. Vejo uma via, um caminho e rumo ao ninho. Rumo ao colo, ao aconchego que só quem mais te conhece pode dar. Rumo a pessoa que olha pela janela desde antes de se exitir. Um Retorno à mim mesmo.

E o vento se mistura com as lembranças de tempos felizes, olhando por uma janela. E o passado se mistura com as expectativas de um dia seguinte, onde se lembra das coisas que vão acontecer, onde se imagina o que já aconteceu, onde tudo lembra e tudo se cria em um misto de fragmentos e de partes sólidas que nunca se digerem.

E ver o Sol se erguer por entre os dedos entrelaçados do passado com o futuro. Projetando desenhos na parede da janela. Projetando tudo o que ainda vai surgir.

Através, além de, por algum percurso tortuoso ou não, a alma segue e leva o aroma que desperta o desejo de ver o dia seguinte cada vez mais.

Parece que tudo isso é um pouco confuso, mas se você entender alguma coisa...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Esconder...

Um dia natural para o tempo do universo. Mas para quem estava por aqui pela Terra pode acompanhar um momento quase raro: O momento em que a lua se esconde do Sol.

Bem, era essa a expectativa. Infelizmente o céu não cooperou. Talvez ela tenha se intimidado diante de tantos olhos e olhares em sua direção e resolveu tecer um cobertor de nuvens para se esconder do Sol. Era um esconder para esconder.

Momentos mágicos na pedra do Arpoador sentindo as premissas de uma chuva que agora cai e atrapalhado pelas luzes dos câmeras de uma emissora de televisão, tentando mostrar pessoas que iam assistir ao Eclipse.

Mas ela não decepcionou. Apareceu, mesmo que de relance, só para mostrar o momento em que ia ficar totalmente escondida, para depois sumir entre as nuvens.

Aquele céu nebuloso começava a clarear e ser riscado por esparsos raios e relâmpagos. Dando ainda mais beleza ao espetáculo.

Mas a melhor parte foi ver o eclipse de perto... ele sumindo e aparecendo, se contraindo... Horas tímido... horas descarado, sarcástico, mau... Mas tinha seu charme... Mais bonito que o da Monalisa, muito mais expressivo... E, ainda por cima, tinha vantagens sobre quadros do Monet.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O Grande Encontro

No firmamento escurecia. E lá surgia ela; linda, branco-prateada, com seus longos cabelos jogados sobre as ondas de uma escuridão encrespada: O Mar.

Eles eram amantes. Sempre que o Sol se punha em seu sono glorioso, se encontravam e se amavam. Quando o olhar dela tocava sua pele, se viam ondulações e arrepios...

Neste dia ela estava ainda mais luminosa. Parecia ter se apropriado de toda a luz que existe, iluminando toda a face de seu amante. E a face se alegrava em ver tamanho esplendor e beleza que sua amada transpirava. Sentia como se toda a luz fosse atraída para aquele ser tão pequeno.

Mas, antes do Sol acordar eles se separavam com um longo beijo... Ondas batiam sem cessar, e o barulho era ensurdecedor.

Certo dia, no meio da noite, o Sol ouviu o barulho do mar. Era um ser ciumento, possessivo, agressivo. O ciúme o cegava e sua presença afastava ainda mais sua amada, a Lua.

Um brilho no céu clareou o fez despertar.

A trancou na penumbra.

Mas o forte amor que nutria pelo mar a fez pedir que ele esperasse o pôr-do-Sol para que eles pudessem eternizar.

E assim foi feito.

domingo, fevereiro 17, 2008

Das lentes

A fotografia... Será que Daguerre tinha noção do quanto isso ia revolucionar! Ele com seu daguerreótipo foram um marco na captura dos momentos.

Meus olhos são como essas lentes. Capturam momentos. Uns bons. Uns ruins.

Ultimamente essa "câmera" só tem me dado felicidades. Um carnaval, algumas pessoas novas, alguns sorrisos intrigantes, um pôr-do-Sol e a premissa de um nascer...

Capturou frações de segundos que me fazem ficar tristes... frações de segundo que ficarão na cabeça por algum tempo... capturou frações.

Tenho fascinação por fotografia. Ela eterniza um momento que sempre que for esquecido ou deixado em segundo plano, pode ser relembrado. Ela eterniza. Isso é surpreendente.

O que seria da fotografia sem a luz. O que seria dos olhos sem a luz. O que seria da "eternização".

Daguerre criou o caminho que foi trilhado por William Henry Fox Talbot. Ele criou o negativo e a possibilidade de reproduzir o momento... a possibilidade de clonar um segundo. Que deu subsídios para que os irmãos Lumiére inventassem o cinematógrafo e para que Thomas Edison inventassem o cinetoscópio, revolucionando a multiplicação da captura dos momentos dando movimento à eles...

E por incrível que pareça: Deu ainda mais força para a fotografia. O movimento deu força para a multiplicação que aumentou a foto que se criaram mais e mais em cima das invenções de Daguerre.


Mas, nada disso seria possível sem a luz... e isso me faz gostar ainda mais disso que da fotografia.