terça-feira, dezembro 19, 2006

Um pirulito na boca... e não mão outra mão

Ele era tão pequeno.
Do punho escorria um caldo rosado que manhcava a cabeça do seu pequeno urso azul. Urso esse que ele agarrava com tal força que era impossível ser um ser-vivo.
Andava como se estivesse totalmente despreocupado, como se o mundo se resumisse naquele sabor doce e rosa de um pirulito e naquele abraço de um urso de tecido.
Na outra mão ela ia guiando e desviando das pessoas apressadas correndo para se preocupar com coisas que talvez, sejam menos complicadas que aquele pirulito.
Mas ele nem ligava muito. Conversava com seu urso e lambia seu pirulito debaixo daquele Sol de arrancar o couro.
Ela tinha uma expressão mais complicada. Ou seria uma falta de expressão?
Ela dava a segurança necessária para aquele pequenino ver um mundo com olhos virgens. Ela dava segurança para ele conversar com seu urso e chupar seu pirulito em meio aquele alvoroço todo de uma segunda-feira um tanto conturbada.
No meio daquela baderna, entre buzinas e canos de descarga, ele tinha seu urso, seu pirulito e uma mão que o guiava...
Sei que ver aquela criança com seu urso sujo de calda de pirulito e com aquele doce na boca me
deu um breve momento de paz e nostalgia.
Como se todos os meus problemas fossem acabar se eu também abraçasse meu ursinho de pelúcia e tivesse um pirulito.