segunda-feira, dezembro 18, 2006

Auto-conhecimento

Um dia eu acordei assim. Parecia que não tinha chão, que não tinha teto; um enorme vazio.
Olhei de um lado ao outro procurando explicação, mas fiquei com um enorme medo de sair da cama.
Quando então tomei coragem para sair e ganhar mais um dia, eu percebi que estava faltando mais coisa. Estava totalmente sem expressão. Parecia não existir nem passado e nem futuro... O presente? O que é isso mesmo?
Ao sair de casa, o céu estava estranho com uma cor não normal, sem lua nem sol.
Tive medo de me perder.
Fiz como de costume: Desci a ladeira, parei na banca de jornal para ver as ultimas notícias e vi que os jornais estavam em branco, as revistas sem titulo nem capa e a rua deserta.
Enfim cheguei ao ponto de ônibus e havia algumas pessoas lá. Todas sem rosto, sem face, sem nada. Só pessoas. Não representavam nada. Por debaixo das vestes, largos cortes de navalha.
O ônibus seguiu seu caminho. As pessoas entravam, desciam, mas o final da linha nunca chegava.
Trocaram todos os nomes das ruas.
Nunca mais encontrei minha casa.