terça-feira, janeiro 06, 2015

Dia de Reis



Hoje é aquele dia de desarmar a árvore de natal. De guardar os enfeites. Dia de Reis.

É o dia em que os católicos celebram a visita de Belchior, Gaspar e Baltazar ao pequeno menino Jesus. É um dia de muitas celebrações.

Nesse dia muitos fatos interessantes aconteceram ao longo da história, como por exemplo em 365, foi o último ano em que o Natal foi celebrado nessa data. Em 1412 nascia Joana D'Arc. Em 1449 foi coroado o último imperador do Império Bizantino. Em 1502 foi descoberta a baía de Angra dos Reis (que recebeu esse nome por causa do dia de reis). Em 1838 foi demonstrado publicamente, por Samuel Morse, o telégrafo. Em 1919 morria o presidente Roosevelt. Em 1963 foi criado o Estado do Acre e o regime presidencialista foi restabelecido no Brasil e em 1964 os Rolling Stones iniciaram sua primeira turnê pelo interior da Inglaterra. Em 2004 foi lançado o iPod... muitos acontecimentos. E hoje, em 2015, é o primeiro mês do desafio dos 18 meses.

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Eu só espero que não venha mais ninguém
Aí eu tenho você só pra mim
Roubo teu sono, quero teu tudo
Se mais alguém vier não vou notar

terça-feira, dezembro 30, 2014

2015


O tempo não respeita as convenções. Ele segue, sempre em frente.

Não importa se te disseram que esse ano acaba no dia 31 de dezembro quando zerar o relógio. Não importa quantas voltas a terra tenha dado em torno do seu próprio eixo. Não importa se foi uma volta completa em torno do sol. Não importa. Ele não respeita nossas contagens... Ele não está sincronizado com os nossos momentos. Quantos dias e quantas noites passamos para digerir uma história, quantos minutos esperamos para aquele momento tão especial, não liga se você se atrasou pro seu trabalho, se você trabalhou até mais tarde... se você está doente, está feliz ou triste... ele sempre segue.

Fechar um ano, fechar um ciclo, fechar uma história... Iniciar um ano, iniciar um ciclo, iniciar uma história. O tempo não se preocupa com a duração de cada coisa. E essa imposição de 365 dias é um tanto quanto injusta com cada momento.

Tudo isso pra dizer que meu ano novo já começou. Começou no sexto dia de dezembro, quase virando para o sétimo. E que esse ano novo já tem sido muito feliz e com muitos percalços. Ainda com muitos outros por superar.

Um feliz ano novo pra você! que esse 2015, esse número que o tempo pouco se importa, seja muito feliz. Que histórias bonitas sejam contadas, que muitos ciclos se iniciem e se fechem. Que coisas bonitas aconteçam. Seja bem vindo!

terça-feira, dezembro 23, 2014

Coração. Cor ação. Coação ou Coerção.




Me pergunto isso; se coação ou coerção, visto que a diferença entre um e outro é bem sutil. Enquanto que coagir é impor algo contra a vontade alheia (o que certamente meu coração faz comigo muitas vezes) a coerção é como direito do uso da força para impor algo ou, ainda, o direito de reprimir algo (e esse meu coração também faz comigo).

E essa eterna luta em que a minha mente tenta coagir meu coração e meu coração, coagir minha mente, ou minha mente tenta usar coerção contra meu coração e vice-versa é onde, vira e mexe, me encontro. Como Ouroboros.

Olhar pro futuro sempre dá uma muita tranquilidade... desde que se olhe pro passado com ternura, com carinho, e entenda a importância que ele teve para que eu me reconheça no presente, para entender quem eu sou hoje.

Me reconhecer no presente e mirar no futuro e, quando o futuro chegar, abraçar ele como um presente...

Deixar a coerção e a coação em outro lugar... equilibrar os argumentos de um e de outro, dar valor a cor e a ação dos momentos... e sentir o pulso. Coração.

E ele pulsa. Pulsa. Pulsa. Pulsa...

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Take me with you this time, won't you, won't you?
Don't make me miss you this time
don't you, don't you
We're so much better together don't you think?
I do.


segunda-feira, dezembro 15, 2014

O nosso cotidiano



Somos todos abstrações. Vivemos abstrações. Sentimos abstrações... Mas será que tudo é uma abstração de algo real, como disse Platão?

Existe uma declaração zen-budista que prega o seguinte: "Antes que eu penetrasse no Zen, mas montanhas e os rios nada mais eram senão montanhas e rios. Quando aderi ao Zen, as montanhas não eram mais montanhas e os rios não eram mais rios. Mas, quando compreendi o Zen, as montanhas eram só montanhas e os rios eram só rios." Conseguir perceber e viver a realidade dessas palavras é uma arte.

O Zen é a "consciência do cotidiano". É perceber cada parte de um todo e todo todo em cada parte e encontrar um sentido superior em cada coisa, em cada gesto. Mas porque será que teimamos em viver ao contrário disso?

Essas abstrações vem das nossas negações e da nossa dificuldade em perceber a beleza e a força que existe em cada coisa. E perceber que somos parte desse todo. Ficamos negando o lugar de onde viemos, o idioma que falamos, as pessoas que experimentamos, que convivemos e não mais convivemos, nos trancamos do lado de fora de nós mesmos nessas trevas que são o lado de fora (ou o lado de dentro da caverna) deixando de perceber a luminosidade intensa do lado de dentro de nós, de tudo que somos(ou o lado de fora da caverna).

Escolhemos viver abstrações. Escolhemos ser abstrações. Escolhemos sentir abstrações. Escolhemos isso no momento que negamos o nosso cotidiano e toda beleza contida nisso.

Hoje, exercito a minha percepção sobre as coisas cotidianas. Sobre os meus percursos, meus trajetos. Exercito a percepção sobre de onde vim, onde vivo, meu entorno. Exercito as percepções sobre meus sentimentos, meus medos meus anseios... e por isso que hoje, prefiro dizer; mesmo que amanhã seja outra coisa, ainda que ontem seja diferente. Porque o ontem, o hoje e o amanhã fazem parte da mesma coisa e existem, em cada parte desse todo... Por isso hoje prefiro dizer o que sinto, e só a você pertence e cabe.

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Tal vez no te di mi amor,
pero mira que me has echo hoy,
me has echo enamorarme de la vida,
es que me has echo enamorarme de mi vida. 

sexta-feira, dezembro 12, 2014

Transliterações

Vamos fazer um empréstimo. Porque empréstimo? Porque vou usar um termo pra explicar outra coisa. 

Bem, Transliteração é quando se tenta equivaler, equiparar, sistemas linguísticos a outro, com o mínimo de perdas. Mas é lógico, as gambiarras existem, para o melhor dos entendimentos. É como tentar adaptar o Russo ao Português... não temos todos os sinais, caracteres, fonemas que o Russo. Por isso, algumas transliterações são realizadas. Um exemplo disso é  دولة الكويت  que na verdade é Dawlat al-Kuwayt e em português significa Estado do Kuwait... Pode ser ainda Kuweit, Koweit, Kuait, Coveite, Covaite, Couaite, Quaite ou Cuaite.

Da mesma forma somos todos nós. Cada um carrega um padrão individual de todas as suas percepções, vivências, experiências, emoções, pensamentos, aprendizados. Vivemos cada dia transliterando em nós tudo que vem do outro pra facilitar nossa interpretação. Claro, com isso ocorrem algumas anomalias, perdas, gambiarras, o que é até aceitável, quando se pensa que cada um de nós é um Estado, independente, com idioma, sistema financeiro, crenças, conflitos. E tudo isso, ainda pode vir em muitas versões, dentro da mesma pessoa.

E nesse meio todo confusões, quero só conseguir traduzir-me e traduzir em mim o que vier pela frente. E transliterar os meus e os seus: "gosto de você", "te adoro", "sinto saudades"...  E transliterar seus sorrisos, seus olhares, seus silêncios... E transliterar seus gestos, seus passos, seus devaneios...

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E quanto mais a gente esquenta ou tenta achar
Mais inventa com o que se preocupar
O que me importa é a alegria, mostrar que veio pra ficar
Se hospedar no dia-a-dia e não se acomodar
Mas, o que somos nós?
São tantos sinais
Somos tão sós

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Abre as janelas...

" A primavera quer entrar e fazer da nossa voz uma só nota." – CAMELO, M. 


Como era de costume, ela quis se trancar. Em sua casa pré-fabricada, feita de medo, incertezas, inseguranças. E ao entrar, foi passando por coisas, fotos, lembranças. Foi fechando portas, fechando janelas, impedindo a claridade de entrar, tampando cada orifício que pudesse trazer notícias do mundo exterior.

Foi para o fundo do quarto. Acendeu seu candeeiro e se pôs a trabalhar. O trabalho certamente a faria esquecer do que a machucara da ultima vez que tentou sair de sua casa pré-fabricada. Mesmo que os motivos tenham sido sinceros. Ela não pode aguentar a realidade.

Quando terminou seu trabalho, jogou fora. Começou novamente ao lado do seu velho candeeiro, no canto mais profundo da sua casa. E mais uma vez, produziu outro lindo trabalho e, mais uma vez, insatisfeita, jogou fora.

Enquanto isso, do lado de fora vinham as vozes... abre essa janela... a primavera quer entrar...

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terça-feira, dezembro 09, 2014

as árvores

"A árvore da felicidade vai trazer harmonia ao lar, desde que seja bem cuidada." – Lembro dessas palavras quando nos deram a árvore... Foi seu tio e o namorado que nos deram no dia que fizemos o open house...

A casa se desfez em tantas partes mas me apeguei ao conceito da árvore e fiz de tudo pra que ela continuasse viva. Ela morreu e voltou algumas vezes. E por fim, ressecou, murchou de vez e ficou um cotoco no vaso.

No meio de um dos momentos mais conturbados da minha concha (e em paralelo) meu pai fez algo que sempre fez. Depois de aberto um abacate, ele pegou a semente e colocou num copo com água e ele brotou... Veio cheio de energia até atingir o máximo que poderia atingir naquele recipiente tão diminuto. E toda vez que atingia seu ápice, ele murchava de leve como quem dizia que precisava de mais. E nisso eu apegado a uma árvore que definhava num vaso maior.

Depois que a ponta do abacateiro morreu, nasceu um ramo um pouco mais abaixo e esse também veio cheio de vida. E ainda assim, não o coloquei no vaso. Tentando em vão ressuscitar aquela carcaça de árvore.

A última vez, levei um tapa na cara quando vi que em vez de um broto, dois ramos resolveram sair daquela semente como quem grita: – EU TO VIVO!


Entendi seu recado. Me desfiz da árvore. Plantei o abacate no lugar.

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Abacateiro serás meu parceiro solitário
Nesse itinerário da leveza pelo ar
Abacateiro saiba que na refazenda
Tu me ensina a fazer renda que eu te ensino a namorar
Refazendo tudo
Refazenda
Refazenda toda
Guariroba